Contra o sectarismo na Igreja

    She had loved, seen, sought and adored”

Fonte: Aleteia / A aparição de Cristo para Maria Madalena após a Ressurreição, Alexander Ivanov

    

 De tempos para cá, vemos uma boa revolução do catolicismo brasileiro. Começou-se, principalmente pelas redes sociais, uma preocupação e um amor pelas coisas de Deus e pelos seus ensinamentos. Esse ímpeto vem de um grupo inesperado: os jovens! Contudo por mais que o catolicismo do Brasil tenha se tornado mais íntegro, há também, por parte de alguns católicos, um certo radicalismo não cristão, uma tendência irracional e escrupulosa.

  A mensagem de Jesus Cristo é bem clara: Evangelizai todos os povos. E quando Jesus diz "todos os povos" é incluso tanto a sua mãe, como Bill Gates, um mendigo ou até um extraterrestre, se houver mesmo vida em outros planetas. O problema de muitos católicos escrupulosos ou de católicos mal-formados (não só por falta de informação, mas por excesso de verdades desvinculadas entre si ou por excesso de desinformação) que cometem certos erros grotescos e muito anti-evangélicos. O erro do sectarismo dentro da Igreja.

 A Igreja não é, de forma alguma, um clubinho de pessoas que concordaram em pensar, se vestir e falar do mesmo jeito, mas sim o Corpo Místico de Cristo. Membros que confessam a mesma fé de Jesus Cristo e respeitam o tripé que sustenta os céus. O resto é de somenos importância. Não preciso acreditar em tal filósofo famoso; não preciso usar camisa social, saia, véu, batina; não preciso seguir uma certa linha de pensamento que está em voga ou aceitar os modismos  para ser católico. Claro, alguns destes não são um mal em si, por isso mesmo: parabéns se você usa camisa social na missa, saia, véu e ao padre que usa batina e reza todas as horas da liturgia das horas ou que reza no rito extraordinário. 

  Porém, pode-se ver muitas vezes um radicalismo na posição das pessoas da Igreja. "Você não pode entrar em nosso grupo, porque não se veste com modéstia"; "Ele é protestante, raça de víboras. Nem são cristãos", "não posso trabalhar ir nessa faculdade/escola/trabalho, porque não há cristãos aqui" entre outras milhares de frases anti-evangélicas e de isolamento em uma bolha; podem estar presente em nosso cotidiano infelizmente, ainda mais em tempo de redes sociais, vemos muitas vezes uma falta de formação e um certo sectarismo.

 Assim sendo o sectarismo e a ideologização da igreja são dois processos que causam perdas de almas não somente pelo fiel não abraçar a fé, mas também por ele não ter sido evangelizado ou por ter sido “evangelizado” puramente para um projeto político ou coletivo de certo grupo. Ele deve acreditar em tudo o que nosso grupinho prega, em tudo o que ensina a maioria, não importa se é posição política ou costume regional, senão ele é imodesto, comunista, fascista, capitalista, modernista... 

Infelizmente, isso pode já se apresentar em movimentos intelectuais soi disant catholiques, aqueles tipos que se você não acreditar nas lorotas e nas picuinhas direitistas, você é comunista, burro, anti-católico e por aí vai. Se você não agir como os participantes do grupo na forma de pensar você é impelido a acreditar nessas mentiras e até, se caso for, em heresias da direita ou da esquerda! Isso é grave, gente! É uma mentalidade de seita,  hierarquizante e anti-católica presente na catolicidade brasileira! 

Contudo não somente grupos intelectuais como também grupos que pregam defender bons ideais da vida, da liberdade, da modéstia e da santidade podem cair nessa! Nessa falsa santidade que não salva ninguém e não se salva, que não vai em direção ao mundano, ao pecador e ao pobre, que se afasta do mandato de evangelização que cabe a todo cristão por puros caprichos e escrúpulos!

Tudo isso é porque você é bom demais para estar em meio de plebeus e da escória. O que pensarão de ti em meio aos zombadores, aos doentes, aos pobres, aos imodestos, aos ladrões? Essa era a mesma preocupação dos fariseus, mas não de Jesus. Nunca de Jesus. Ele faz missão da qual foi enviado. Evangelizar e essa também é a nossa missão: evangelizar. Evangelizar. Evangelizar com amor e com verdade e não usar o catolicismo como objeto político ou como uma regra de vida rigorosa e escrupulosa que exclui as pessoas. Não! Sem os pecadores não somos igreja, mas sim uma seita que escolhe as pessoas mais razoáveis e deixa os “inválidos” para trás!

 

Sem ideologização e sectarismo na nossa fé. Credo in Ecclesiam Catholicam. C'est Tout! Basta!




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