Análise do filme Livro de Henry I
O Livro de Henry e a vida intelectual verdadeira
Apesar da temática grave, o Livro de Henry conta a história de Henry (Jaeden Martell) um prodígio, um gênio e seu irmão , Peter (Jacob Tremblay) e sua mãe solteira, Susan (Naomi Watts), que se deparam com um vizinho que é comissário de polícia, Glenn Sickleman (Dean Norris) e sua filha, Christina (Maddie Ziegler), que sofre abusos por parte de Glenn. Henry descobre o abuso e não pode ficar calado e fará de tudo para salvar Christina.
Não peguei esse filme somente para dar um exemplo extremo e muito difícil de acontecer na vida real sobre o bom ou mau uso da legítima defesa (em breve), mas sim pela riqueza que o diretor renomado, Colin Trevorrow, que já dirigiu Jurassic world 1 e 2 e dirigirá o 3, além de Star Wars: episódio IX e do roteirista e romancista Gregg Hurwitz, criador da saga Orphan X e de inúmeros trabalhos, conduzem essa obra muito bem. Chega de elogios aos produtores e vamos para o que interessa.
Henry é um menino genial, um prodígio, mas não um gênio fútil, comum, o qual fica puramente preso em seu mundo sem querer ajudar ninguém, ou vaidoso, orgulhoso ou até presunçoso, teimoso, refém de sua vontade, de seus desejos que muitos julgam ser sempre a melhor opção.
O que adianta ser gênio desse jeito? Para que estudar se for para se tornar um mini ditador em seu mundinho ou se possuído de poder, tornar um ditador da vida alheia, de um lugar, de um país ou até impor uma mentalidade? Contudo quem criou as coisas mais danosas de todos os tempos não foram os mais inteligentes? E as heresias? Não foram os astutos que a criaram? Evidente, pessoas de inteligência média são capazes de fazer o mal, mas não tanto quanto os gênios. Eles são de certo modo perigosos.
Como o leitor já pode ver isso não é, de maneira alguma, um ataque indiscriminado a todos os gênios da face da terra. Não sou um anti-intelectualista, amo a intelectualidade, porque acredito na humanidade, acredito em Homero, Aristóteles, Sócrates, Platão, Cícero, Sófocles, Santo Agostinho, São Justino, São Jerônimo, São Gregório Magno, São Tomás de Aquino, São Boaventura, Papa Leão Magno, Mozart, Handel, Luís de Camões e G. K. Chesterton (omitindo inúmeros e excelentes nomes) e o que Deus pode fazer em nós se dizermos sim. Talvez Henry também entre nessa lista, pois acredito que ele faça parte dessa classe de gênios que são bons e vejo grande mérito em sua vida, apesar de que o seu plano possa ser discutido se foi certo ou errado.
Iniciemos, portanto, o nosso processo de bonificação dessa personalidade fictícia. Henry antes de tudo é uma criança, um jovem e quando pensamos em jovens, alguns pensadores dizem que essa época da vida é cheia de atrações, de belezas, distrações e uma época imatura, tanto o é que o grande dramaturgo, Nelson Rodrigues, quando lhe foi pedido um conselho para os jovens, ele diz: “Envelheçam!” Assim podemos entender que erros nessa etapa da vida são bem comuns e que é muito difícil tão cedo se ter uma vida intelectual mesmo com uma educação para a beleza ou uma educação católica.
Mas a educação de Henry foi feita por uma mãe negligente e descolada, se posso julgar assim uma mãe ruim, mas amorosa. Queria o bem para os filhos, mas na verdade era a mais imatura da casa, até mais imatura que o Peter. Então temos um duplo déficit aqui, sem educação boa e uma nula educação cristã, pois nem sequer eram ligados a alguma religião.
Pensemos, então, que a partir daí, ele poderia se tornar em, o que chamamos, de gênio do mal, não que sua família seja criminosa nem nada, mas que tinha chance dele não seguir o caminho do bem, da verdade e cair em sofismas e em uma adoração do seu próprio ego e um desligamento gnóstico do mundo exterior, mas não foi isso o que aconteceu para a tristeza dos deterministas de plantão.
Apesar dos pesares, Henry se tornou um menino bom e um gênio para quem convivia com ele. Seus estudos não o levaram para um buraco como ocorreram com alguns pensadores modernos, mas sim o ajudarão a ser uma pessoa melhor, porque ele aprendeu o essencial, uma das leis mais bonita do universo, a máxima mais bela que a nona sinfonia e toda coleção de obras de Bach: Amar o próximo como a si mesmo.
Ainda mais ele, sabia que era inteligente, que não era comum, que era extraordinário e que tem poderes para ajudar as pessoas e como já dizia o grande filósofo Tio Ben: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.” Justamente ele deveria fazer o melhor porque a ele foi dado a genialidade e esse chamado para viver para os outros através de seus estudos que verteriam em suas boas ações.
Um menino de 11 anos nos dá uma lição que é uma das mais importantes e quem se diz ser intelectual, precisa ter em mente que é: o amor e o serviço ao próximo - se quisermos ir mais longe - que pode guiar ao amor a Deus e o serviço somente a Ele criador onipotente e Servo sofredor através dessa intelectualidade secular.
Não duvido e acho mais que provável que o nosso pequeno Henry, um dia poderia chegar a acreditar em Deus e não em qualquer deus, mas sim no Deus cristão, em Jesus. Claro! Deus ama quem ama a verdade e o bem, porque no fundo quem as ama, quer amar mesmo a Ele, o Sumo Bem e o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele tem sede que tenhamos sede d'Ele, já dizia o grande mestre Santo Agostinho.
Além disso, quando perguntado para o Henry se existiria alguma coisa após esse mundo, no pós-vida, sua resposta é genuína: “não sei.” Não diz como um intelectual de nosso século que intimado por esse questionamento riria e diria, com um ar de superioridade: “garoto, eu não acredito em conto de fadas, acredito no que pode ser provado, no que posso tocar, e ainda mais: se um deus existisse ele não permitiria tanto sofrimento, eu não vou me deixar levar por isso, eu vou morrer e não mais existirei!.” Henry responde genuinamente, e prova que podemos conhecer a existência de Deus com nossa própria razão, mas claro isso não é fácil de ser feito.
Além disso, fico curioso e me pergunto: Por que Henry queria ver o céu em seus últimos minutos de vida se levantando rapidamente e correndo desesperadamente para a janela como se algo muito importante estivesse lá no céu? Isso poderia ser resultado do seu raciocínio advindo da pergunta de Peter sobre a existência de um Ser acima de todos os seres? Será que queria olhar para onde iria? Não sei, mas não suspeito de sua aderência ao pensamento que Deus existe.
Ainda mais, Colin Trevorrow e Gregg Hurwitz nos brindam com uma verdadeira pintura de Henry sendo segurado nos braços de sua mãe lacrimosa, fazendo-nos lembrar da belíssima pintura de Michelangelo, a Pietà. Seria esse o sinal efetivo da sua conversão?
Não sei, talvez esteja indo longe demais, mas podemos lembrar de que o roteirista desse filme, também pode ter uma crença em Deus, além de ser um autor renomado, bem intelectualizado. Mas isso é uma mera hipótese.
Portanto, pelas evidências podemos ver que Henry não é um garoto comum, nem um gênio comum ou um gênio do mal, mas se realmente existisse de verdade poderia ter bastante destaque ou talvez ser reconhecido realmente como um gênio não como Aristóteles, São Tomás e entre outros gênios incomparáveis, mas como um gênio peculiar de sua maneira, procurando a verdade e o bem genuína e despretensiosamente, podendo um dia encontrar realmente a Verdade encarnada que é Cristo.
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